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quarta-feira, 24 de agosto de 2011


CELIBATO NO CAMPO

            No dia 10 de agosto, ocorreu em parceria com o CACS - Centro Acadêmico do Curso de Ciências Sociais mais uma exibição do Cineclube Universitário com o filme “Celibato no Campo” dos diretores Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt. Ao CACS, desde já os nossos agradecimentos pelo apoio ao Cineclube Universitário.
            A temática do filme voltou seu foco para a questão do êxodo rural que vem aumentando gradativamente nos últimos tempos. Na sua grande maioria a faixa etária predominante que abandona o campo em vista dos estudos, da falta de oportunidades, é a juventude. Casar e residir com os pais para ajudá-los no serviço do campo, ou mesmo morar sozinho no campo, estudar e/ou trabalhar em outra cidade, maior valorização fora do campo, são algumas das opções que o jovem atualmente encontra retratadas pelo filme. A triste realidade dos inúmeros jovens que abandonam o campo para tentar conseguir “algo melhor na cidade grande”.
            Após a sessão a comunidade acadêmica que se fez presente no auditório do campus Bom Pastor para prestigiar esta sessão, pode matar as curiosidades acerca do filme com o próprio diretor. Abrindo-se também ao mesmo tempo o espaço para o debate sobre as questões mais chamativas do filme.
            Sabe-se que a distância entre o campo e a cidade é muito grande, afirma o diretor Cassemiro Vitorino. No interior temos estradas de chão sem as mínimas condições de trafegabilidade, enquanto nas cidades o asfalto já é realidade há algumas décadas. A valorização financeira da mão-de-obra nos grandes centros é muito melhor se compararmos com aquilo que o pequeno produtor recebe ao comercializar aquilo que produziu. Além do mais, salientou um acadêmico, o que contribui para essa constante dificuldade do pequeno produtor rural não está somente centrado na diferença existente entre o campo e a cidade. É fato a competitividade existente entre os próprios produtores rurais, pois, o que está acontecendo nos últimos tempos nada mais é do que uma constante seleção dos melhores, no qual um produtor X produz mil suínos e mil produtores produzem um suíno. Sem contar que o acontecimento maior não está nos filhos, nas famílias saírem do campo e residirem na cidade por falta de reconhecimento por parte do governo ou mesmo das empresas, que erguem impérios à custa e suor do pequeno produtor. O fato do êxodo rural não é mais uma escolha dos agentes e sim uma expulsão silenciosa. É uma supressão silenciosa que vai acontecendo e favorecendo somente uma minoria de pessoas.
            A falta de subsídio por parte dos órgãos governamentais e também por parte das empresas que adquirem a produção está deixando o pequeno produtor rural sem alternativas. Dessa forma, é possível entender o inchaço do espaço urbano e a evacuação do campo, em virtude do crescente número de jovens que saem em busca do emprego ou mesmo uma vaga numa faculdade para estudar. Já as pessoas de mais idade não possuindo mais condições para o trabalho não irão se sujeitar a trabalhar forçado e conduzir sozinhos uma propriedade. Resta-lhes, portanto, sair do campo.
            Voltar? Essa palavra para muitos nem é cogitada. Pois, as pessoas até poderão voltar, porém, já não se sentirão pertencentes a esse espaço, no qual nasceram e se criaram. Dessa forma, é possível concluir o porquê dos inúmeros casos de depressão entre outros problemas de saúde enfrentados por essa classe que já não possui mais a certeza do amanhã.
            O pior de tudo é que na sua grande maioria pensamos estar ajudando os pequenos produtores rurais comprando produtos com o selo de orgânico ou até mesmo coloniais. Deveríamos estar cientes de imensidão do nosso erro, pois na nossa boa intenção estamos pelo produto que só selo de colonial tem, mas o produto em si é oriundo de grandes empresas. Uma vez que a vigilância sanitária condena a venda de produtos colônias sem o selo. E dessa forma resta-nos questionar como o produtor vai conseguir sobreviver vendendo o seu produto que não é de grande escala e ainda ter que colocar o selo identificador de produto colonial ou orgânico?
           Trezentos e sessenta e cinco dias em perfeito regime de escravidão silenciosa, nossos homens e mulheres do campo se encontram a trabalhar para garantir o pão de cada dia de milhares de pessoas e também para garantir as férias merecidas dos trabalhadores da cidade. E as férias desse povo do campo se resumem em um único dia quando o ano te trezentos e sessenta e seis dias? Se a agricultura familiar acabar o que será de nós que dependemos dela?


 Pense nisso e até uma próxima!

Francisco Xavier Buehrmann
Acadêmico do Curso de Licenciatura em Filosofia
Ana Paula Wizniewski
Acadêmica do curso de Licenciatura em Ciências Socias






quarta-feira, 30 de março de 2011

"ENTRE OS MUROS DA ESCOLA"

O ano de 2011 para o Cineclube Universitário será de muitas exibições. A primeira delas foi o filme “Entre os Muros da Escola”, vencedor do prêmio Palma de Ouro no Festival de Cannes. Uma história que é marcada pela mais pura e real manifestação das diferenças culturais e sociais entre os alunos oriundos das mais diversas famílias que foram a Paris na tentativa da busca por uma vida melhor.
          Toda uma visão construída ao longo dos anos de que nos países de primeiro mundo se tem o mais alto nível de educação, professores capacitados, estruturas escolares das mais modernas e acima de tudo a existência de uma constante preocupação com o ensino de qualidade são alguns dos principais pontos que entraram em conflito com a apresentação do filme. Esta obra deixa claro o desleixo por parte de alguns professores que não mostram comprometimento ou que ao se empenharem não têm o devido apoio para fazer acontecer uma educação com mais qualidade. Temos de ter a consciência de que os reflexos de nossa sociedade decorrem principalmente do fato de que a educação recebida das famílias e, sobretudo, da escola não vai muito bem, e aí todo restante “cai por terra”.


A exclusão é outro problema que perpassa do início até o fim do filme, deixando claro que o professor, ao repassar o conteúdo para os alunos, estava impondo algo que talvez não tivesse muita utilidade para esses jovens que buscavam uma vida melhor. O conflito entre os estudantes surge principalmente por causa da constante obrigação que eles têm de aprender o francês e inserir-se numa cultura da qual nunca fizeram parte, ou seja, prefeririam voltar a sua terra de origem e continuar sofrendo ameaças, do que se subordinar diariamente a ouvir e a vivenciar essa opressão cultural de superioridade francesa.

Durante o debate, outra observação feita foi acerca das últimas cenas, nas quais permeava um ar de liberdade ao soar da palavra férias. A cena das cadeiras caídas e as carteiras fora dos lugares, a sala de aula sem professor e tão pouco alunos deixavam bem visíveis a revolta por parte dos estudantes que já não queriam mais saber sobre as aulas massacrantes que abafavam seus credos, costumes, modos de vestir, entre tantas coisas que constituíam sua cultura.
O filme “Entre os Muros da Escola”, ao contrário de muitos filmes norte-americanos, superou as expectativas por ser um dos poucos filmes a trazer presente a temática da educação tão próxima da realidade. Tudo isso sem a necessidade de enfatizar a atuação de um professor que banca o “herói e o salvador” de uma turma de rebeldes e sem solução. Essa “fajuta’ tentativa de encobrir tais realidades já não funciona mais. Cabe a cada um(a) de nós fazer a sua parte na tentativa de mudar e revolucionar a educação, beneficiando assim não somente as gerações presentes, e sim garantir uma educação com mais qualidade para as demais gerações. Assim, possibilitaremos uma melhor oportunidade de vida em relação àquela que muitos vivenciam, tanto no mercado de trabalho quanto na área da educação.
FRANCISCO XAVIER BUEHRMANN
Acadêmico do Curso de Licenciatura em Filosofia

ANA PAULA WIZNIEWSKI
 Acadêmica do Curso de Licenciatura em Ciências Sociais